Seu produto não cabe num slide? Faça a explicação se mexer com IA

Título do artigo "Seu produto não cabe num slide? Faça a explicação se mexer com IA" sobre fundo escuro com detalhe laranja da Braghini & Co.

Você está na reunião, o cliente pergunta como aquilo funciona por dentro, e a resposta é um slide com três setas e uma foto. Ele balança a cabeça, mas não entendeu: dois dias depois, a mesma pergunta chega pelo WhatsApp. Este artigo mostra como explicar seu produto com IA usando uma figura que se mexe, sem você desenhar uma única peça.

A ferramenta se chama Anatomy. Você descreve com as suas palavras o que o cliente precisa entender, e uma IA de programação monta uma ilustração interativa: o objeto aparece em perspectiva, as peças se movem quando a pessoa mexe nele, e um mostrador acompanha o movimento com os números. Ela não cobra licença e pode ser usada em trabalho comercial.

Mas digo logo o que ela exige, porque é isso que separa uma ferramenta útil de uma promessa de mágica: alguém precisa instalar, a figura caprichada leva horas, e tudo precisa ser conferido antes de chegar ao cliente.

Explicar seu produto com IA: o que sai do outro lado

O resultado é uma página que abre no navegador, com a ilustração dentro de um cartão: um título, uma dica de como interagir e o mostrador ao vivo. A figura não fica parada: tem um movimento calmo mesmo quando ninguém toca nela, e responde ao mouse e ao teclado.

O criador avisa que ela desenha bem máquinas, instrumentos, ferramentas e móveis. Pessoas e mapas exatos ficam de fora. Se o seu produto ou processo tem peças, etapas ou um mecanismo, ele é um bom candidato.

Onde essa ilustração interativa com IA trabalha por você:

  • No site, na página do produto, para o visitante descobrir sozinho como funciona.
  • Na página de vendas, exatamente no ponto em que o cliente costuma travar.
  • Na apresentação comercial, aberta no notebook durante a reunião.
  • No treinamento da equipe, para o vendedor novo entender o que vende.
  • No papel: dá para pedir uma versão para imprimir em folha A4.

Um comando, uma chamada e o seu pedido

São três passos.

1. Instalar. Antes, o computador precisa ter três coisas: um dos agentes de programação citados logo abaixo, com a conta e o plano dele; o Node.js, que o instalador e a ferramenta usam; e o Chrome, para as conferências das figuras. Com isso pronto, é um comando só, colado uma vez no terminal do computador. É isto que você entrega a quem vai instalar:

`npx skills add wheresryan22/anatomy -g`

O instalador pergunta em qual agente de programação configurar. Funciona no Claude Code, no Codex e em mais três agentes de programação, segundo a documentação oficial. Não é qualquer IA: precisa ser um desses cinco.

2. Chamar. Na conversa com o agente, escreva `/anatomy` (no Codex, `$anatomy`) e, logo depois, o seu pedido, do jeito que você explicaria a um funcionário.

3. Pedir. É aqui que se decide a qualidade da figura, e a documentação é clara. Descreva o que a figura precisa explicar, não o desenho: o objeto, o que se mexe e onde ela vai ficar. E dê os números reais. Você descreve o resultado que quer ver; o desenho é com a IA.

Para não esquecer nada, preencha esta ficha antes de escrever o pedido:

  • Meu cliente precisa entender… a dúvida que trava a venda, numa frase.
  • O produto tem estas partes… com os nomes que você usa com o cliente e as medidas reais.
  • Quando a pessoa mexer em… a ação que ela faz na figura.
  • A figura mostra… o que muda quando ela faz isso.
  • Não invente… medida, capacidade ou benefício que não esteja nesta ficha.
  • A figura vai ficar… numa página para a reunião, no site ou impressa, em tema claro ou escuro.

Imagine uma marcenaria que vende armários com prateleira deslizante e perde venda porque o cliente acha que a prateleira vai bater na porta. Com a ficha preenchida, o pedido poderia ser assim:

“/anatomy Explique ao cliente como funciona a prateleira deslizante deste armário. As partes são caixa, porta, prateleira e trilhos, com as medidas que mando abaixo. Deixe a pessoa abrir a porta e puxar a prateleira, e mostre o espaço que ela ocupa ao abrir. Tema claro, numa página só, para eu revisar antes. Não invente medidas nem benefícios.”

Quem na empresa faz cada parte, e o que entra na conta

Cada etapa tem um dono diferente:

  • A instalação é de quem já se vira no terminal: um funcionário com jeito para tecnologia, o técnico que cuida dos seus computadores ou um desenvolvedor.
  • O pedido e a conferência são seus, ou de quem conhece o produto de perto. Ninguém sabe melhor do que você o que o cliente não entende.
  • Colocar no site é uma terceira etapa, que pode exigir um desenvolvedor.

E o custo: a ferramenta em si não cobra nada. O que entra na conta é o uso do agente de programação, conforme o plano dele, e o tempo de quem instala, pede e confere.

Minutos ou horas? O próprio guia da ferramenta responde

Quem vê uma figura dessas pronta imagina que ela saiu em minutos. O guia que a ferramenta segue responde de outro jeito, e eu gosto mais da resposta dele. Antes de começar, a ferramenta mede o tamanho do pedido:

  • Uma figura de um mecanismo só, como a prateleira da marcenaria, costuma ficar pronta em bem menos de uma hora.
  • Uma caprichada, cheia de peças, leva cerca de duas a quatro horas, e a própria ferramenta avisa antes de começar.
  • Um projeto enorme, como uma fábrica inteira com vários sistemas em movimento, leva seis horas ou mais, pela estimativa do guia. Aí a ferramenta não começa sozinha: apresenta a estimativa, propõe uma versão menor e só faz a grande se você escolher.

Em qualquer tamanho, o guia manda deixar uma primeira página abrindo no navegador dentro da primeira hora, para você já ver para onde a figura está indo.

O criador escreve, com todas as letras, que a ferramenta é lenta de propósito: ela confere o próprio trabalho de perto, junta por junta. Para mim, isso pesa a favor dela. É a própria ferramenta dizendo que capricho leva tempo, e capricho é o que você quer numa figura que vai mostrar ao cliente.

E se o resultado não agradar? Escreva na mesma conversa o que não gostou, com a mesma clareza do pedido: “a porta abre para o lado errado”, “a prateleira está curta”, “troque para o tema escuro”. Depois, peça para mudar. É assim que se chega à versão boa, e por isso vale reservar tempo para algumas rodadas.

Antes de mostrar ao cliente: confira e escolha onde usar

A figura sai bonita e convincente, e é exatamente por isso que um número errado nela vira problema comercial. O cliente acredita no que vê. Se a prateleira aparece maior do que é, ou se a figura mostra uma peça que o produto não tem, quem responde por isso é você.

Confira cada peça antes de mostrar ao cliente. Olhe três coisas, sem pressa:

  • As peças e a ordem. Está tudo lá, ligado do jeito certo e na sequência certa?
  • Os números. Os valores do mostrador combinam com o movimento da figura, porque saem da mesma conta. Mas só você sabe se combinam com o produto real.
  • O celular. Abra no telefone e veja se uma pessoa entende o movimento ali também.

Depois, escolha onde usar. Sai uma página que abre no navegador; colocar no site é outro passo. Abrir a página no notebook numa reunião é simples. Mandar por link para o cliente ou colocar na página do produto já é publicar: pede hospedagem, ajuste ao seu site e, muitas vezes, um desenvolvedor.

E há casos em que não vale. Se a dúvida que trava a venda é preço e prazo, uma página simples resolve melhor. Se o que você vende não tem peça nem mecanismo, a figura sai fraca, e o próprio criador avisa isso. E se o cliente precisa de medida exata para fabricar ou instalar, a figura explica, mas não substitui o desenho técnico.

Como eu levaria isso para a sua empresa

Primeiro, eu escolheria com você a dúvida que mais trava a venda, aquela que você responde toda semana. Depois, preparo o ambiente, preencho a ficha com você e faço a primeira figura. A conferência é conjunta: você aponta o que não corresponde ao produto, e eu ajusto até a explicação ficar fiel. Por fim, coloco a figura onde ela vai trabalhar: a apresentação, a página de vendas ou o site. O escopo é combinado antes, e o plano do agente de programação e a hospedagem são pagos à parte.

Se o seu cliente vive se perdendo no meio da explicação, traga esse caso para uma conversa gratuita de 30 minutos comigo. Ela serve para eu entender o seu cenário e não inclui diagnóstico completo nem figura pronta. Se fizer sentido seguir, mando uma proposta por escrito, com o escopo definido.

Para hoje, sem instalar nada: escreva numa frase a pergunta que o seu cliente mais faz sobre como o produto funciona. Ela já é a primeira linha da ficha.