WordCraft é grátis. Já dá para trocar o Word da empresa?

Duas folhas claras com blocos de diagramação em relevo, uma lupa escura e um lápis laranja sobre fundo quase preto, representando edição e conferência de documentos.

A renovação da assinatura do Microsoft 365 chega no mesmo mês em que alguém te mostra o WordCraft: um editor de texto grátis, com cara de Word, que ainda deixa um agente de IA escrever e corrigir os documentos. A pergunta vem rápida. Dá para cancelar a assinatura e passar a empresa inteira para ele?

Para o que vai ao cliente, a minha resposta hoje é: ainda não. Mas vale conhecer. O motivo para esperar está numa proposta que precisa voltar ao cliente do jeito que saiu daqui.

Não instalei o WordCraft para este texto. O que segue vem das páginas do próprio projeto e da documentação dos serviços citados, lidas em 24 de outubro de 2026.

WordCraft é grátis, mas o que ele entrega?

O WordCraft é feito pela equipe ArtCraft, que distribui o programa sem cobrar nada e sem assinatura. A licença permite usar o programa na empresa, inclusive para fins comerciais.

Segundo a página do projeto, a tela segue o jeito do Word: a faixa de abas no alto, estilos, tabelas, comentários, controle de alterações e mala direta. Ele abre e salva arquivos do Word (.docx), abre os arquivos antigos (.doc) e exporta PDF. Na página de download da versão mais recente, há instalador para Windows, Mac e Linux.

Dois cuidados antes de comemorar:

  • Grátis é o editor. Se você conectar um agente de IA pago, essa conta continua sendo sua.
  • O Word também tem versão grátis. A Microsoft oferece o Word na web sem custo, com uma conta Microsoft e os arquivos salvos e compartilhados pelo OneDrive. Por isso, a comparação que interessa é o que cada um faz com os seus arquivos.

Sua proposta precisa voltar inteira para o cliente

Digamos que uma empresa de reformas mande as propostas em Word. Logotipo no cabeçalho, tabela de preços, páginas numeradas. O cliente devolve com comentários e alterações marcadas, a empresa ajusta e manda de novo. Se, nessa volta, a tabela quebrar no meio da página ou um comentário sumir, quem passa vergonha diante do cliente é a empresa.

É aqui que o WordCraft ainda pede paciência. O próprio projeto se declara em fase alfa, ou seja, ainda em teste, antes da fase beta. Entre as condições que ele mesmo lista para chegar lá estão testes mais amplos com arquivos reais do Word, uma paginação mais fiel ao Word e uma revisão geral de estabilidade.

O documento do projeto sobre formatos de arquivo detalha esse ponto. A condição para a próxima fase é abrir e salvar um conjunto de documentos reais do Word e comparar cada um com o Word, página por página. O mesmo documento registra verificações pontuais com documentos reais, mas essa comparação completa ainda está por fazer. O mesmo documento registra outros limites que pesam numa proposta:

  • Macros, as rotinas automáticas que alguns arquivos do Word trazem, ficam guardadas no arquivo, mas não rodam.
  • Gráficos: o projeto descreve que eles são mantidos ao salvar, mas alguns tipos aparecem só como um quadro com o título, sem o desenho. Confira os seus ao abrir e salvar.
  • Arquivo protegido por senha: a própria tabela do projeto traz informações que não batem entre si. Não conte com isso.

Sobre impressão, as fontes do próprio projeto não batem. A página principal ainda lista a impressão nativa entre as condições para a fase beta. Já a documentação de impressão descreve, desde 12 de outubro, impressão direta pelo programa, com algumas opções ainda incompletas e a conferência em impressoras reais ainda pendente. Na prática: segundo a documentação, ele imprime, e vale testar na sua impressora antes de depender disso.

O teste que eu faria antes de qualquer decisão: separe cópias de três propostas que já foram ao cliente. Abra cada uma no WordCraft, salve e abra de novo no Word. Compare página por página: cabeçalho, tabela, quebras de página, comentários e alterações marcadas. Nunca faça isso com o arquivo original.

Como a IA pode editar seus documentos

A parte que mais chama a atenção é esta: o WordCraft foi feito para ser usado por pessoas e também por agentes de IA. Conectado a um agente, ele pode escrever, mudar a formatação, salvar e ler o documento de volta para conferir o que fez. A documentação de conexão usa o Claude Code como exemplo de agente.

Na prática, o pedido é em português comum. Algo como:

> Nesta proposta, troque o prazo de entrega de 30 para 45 dias, mantenha a formatação e marque cada mudança para eu revisar.

O detalhe mais útil para o dono: dá para fazer as mudanças do agente aparecerem como alterações controladas, com um nome próprio, separadas das suas. Aí você aceita ou recusa uma por uma, como faria com a revisão de um funcionário. A documentação avisa que o controle de alterações precisa ser ligado; sem ele, a mudança entra direto no texto. Peça a quem configurar que deixe isso pronto.

O que conferir no computador e na conta de IA

Para onde vai o texto da proposta. O WordCraft roda no seu computador, mas o agente precisa ler o documento para trabalhar nele. No caso do Claude Code, a documentação de custos diz que ele manda a conversa inteira a cada pedido, junto com o que as ferramentas devolveram. Ou seja, o texto que o WordCraft entrega ao agente vai para o serviço da IA, pela internet.

O que acontece com ele depois depende da sua conta. Segundo a política de dados do Claude Code, nos planos pessoais (Free, Pro e Max) você escolhe se as suas conversas podem ser usadas para treinar os próximos modelos; nos planos empresariais, a regra padrão é não usar. Antes de abrir um contrato ou uma proposta com dados do cliente, confira essa configuração.

O limite de pastas não vale em todo caso. Dá para restringir o agente a pastas escolhidas, mas só num dos dois jeitos de conectar que a documentação descreve: o que trabalha sem abrir a janela do programa. Com o WordCraft aberto na tela, a documentação diz que esse limite ainda não existe.

Quanto custa a IA. No Claude Code, o uso é cobrado por consumo ou sai do limite incluído na assinatura, conforme o tipo de conta. Em nenhum dos dois casos o editor grátis paga essa parte.

O computador. A página do projeto dedica um trecho ao Windows: o que fazer quando o programa não abre ou fica lento, problemas ligados à placa de vídeo. Instale primeiro num computador só, não no escritório inteiro.

O corretor em português. A tela tem versão em português do Brasil. Já o corretor ortográfico em português depende de um dicionário instalado à parte: segundo o guia de dicionários do projeto, o dicionário de português não vem com o WordCraft e precisa estar no computador. Sem ele, o texto em português não é corrigido. Se o LibreOffice já estiver instalado, o mesmo guia diz que o WordCraft acha esse dicionário sozinho. Para quem escreve proposta, isso não é detalhe.

Já dá para trocar o Word da empresa?

Na minha avaliação, para os documentos que vão ao cliente, ainda não. A primeira versão do WordCraft foi publicada em 7 de outubro de 2026 e, até 22 de outubro, já tinham saído nove versões. Isso mostra um projeto ativo. Também mostra que o que você testa hoje pode mudar na semana que vem.

Quando vale experimentar: em documentos internos, rascunhos e modelos, sempre em cópias. E para entender, com calma, como seria ter um agente de IA mexendo nos seus documentos com as mudanças marcadas.

Quando não vale, por enquanto: na proposta e no contrato que voltam ao cliente, em arquivos com senha ou com macros, e em qualquer documento confidencial antes de você conferir as regras da conta de IA.

O que a empresa precisa ter antes de testar: cópias dos arquivos que importam, uma pessoa com tempo para comparar o resultado com o Word e a política de dados da conta de IA lida, não presumida.

Onde eu entro

Instalar o editor é a parte fácil. O que dá trabalho é decidir quais documentos a IA pode tocar, quem revisa o que ela muda e o que nunca sai da empresa. É aí que a troca de ferramenta dá certo ou vira retrabalho.

Começo entendendo como os seus documentos nascem: quem escreve a proposta, quem aprova, o que vai ao cliente e o que fica guardado. Depois combino com você o primeiro passo, com escopo claro. Pode ser um teste em cópias, pode ser automatizar uma parte da proposta. Licenças e assinaturas de ferramentas ficam à parte.

Se a sua empresa vive de propostas e contratos e você quer usar IA neles sem perder o controle, marque uma conversa gratuita de 30 minutos comigo. Se fizer sentido seguir, mando uma proposta por escrito.

Antes de cancelar qualquer assinatura, abra uma proposta antiga no WordCraft e compare com o original. É essa comparação que responde à pergunta do título para a sua empresa.