O relatório do Google mostra que o seu site aparece nas buscas. O telefone continua quieto. Muitas impressões e poucos cliques dão vontade de mexer em tudo de uma vez: título, texto, visual.
Antes de pagar por isso, faça outra pergunta. Quais buscas já mostram a sua página e mesmo assim não rendem clique? E, dessas, qual merece atenção primeiro? O Search Console, serviço gratuito do Google, mostra essas buscas. Em dezembro de 2025, o Google começou a testar nele uma configuração com IA.
Aparecer não basta para trazer cliente. Aqui eu mostro o que conferir nos números, como escolher a busca e a página, e o que olhar antes de mudar qualquer coisa. Nada disso promete subir de posição ou trazer cliente. Serve para escolher onde mexer primeiro.
Onde ver buscas que já mostram o seu site
Você precisa ter acesso ao seu site no Search Console. Se não tem, peça a um proprietário do site lá: a ajuda diz que é preciso ser proprietário para conceder permissões.
Os nomes de botões e campos abaixo são os da ajuda do Google em português, consultada em 23 de outubro de 2026. Não conferi a tela numa conta aberta.
O relatório que interessa é o Relatório de Performance, dos resultados da pesquisa. Na ajuda do Google, o link Abrir o Relatório de Performance leva direto a ele.
- Escolha o site que você quer analisar.
- Confira o Tipo de pesquisa. Use as buscas da Web feitas por texto, que a ajuda chama de Web: baseada em texto.
- Escolha o período no filtro de data, por exemplo os últimos 28 dias, e anote as datas. O relatório abre nos últimos três meses.
Agora, a configuração com IA. Em 17 de fevereiro de 2026, o Google anunciou, no perfil oficial do Google Search Central no LinkedIn, a configuração com IA para todos. A ajuda do Search Console, em português e em inglês, consultada em 23 de outubro de 2026, ainda diz que ela é experimental e aparece para uma pequena parte dos usuários. Se o ícone não aparecer na sua conta, faça a mesma configuração à mão: últimos 28 dias no filtro de data e as quatro métricas acima do gráfico.
As duas páginas são do Google e não batem. A falta do ícone não quer dizer que você errou o caminho nem que precisa pagar.
Se o ícone estiver lá, ele é um desenho de filtro no cabeçalho do relatório. Clique nele e escreva o pedido no campo do painel que abre ao lado.
Pedir “mostre consultas com muitas impressões e CTR baixa nos últimos 28 dias” não garante que esses critérios sejam aplicados. A IA configura o relatório: período, filtros, comparação e métricas. Ela não ordena a tabela nem filtra por número. Essa parte é sua. Não espere uma lista pronta.
Peça algo dentro do que a ajuda diz que ela faz, por exemplo: “Mostre cliques, impressões, CTR e posição média dos últimos 28 dias.” Confirme a sugestão. Segundo a ajuda, a IA pode criar filtros diferentes do pedido e mantém os que já estavam no relatório. Antes de ler a tabela, confira os filtros que ela aplicou.
No caminho à mão, o relatório já abre com Cliques e Impressões. Acima do gráfico, clique também em Taxa de cliques (CTR) e em Posição média.
Com IA ou sem ela, a ordenação é manual. Na guia Consultas, clique no cabeçalho Impressões até as maiores virem primeiro.
Muitas impressões e poucos cliques: confira os números primeiro
Cada linha da tabela é uma busca, com Cliques, Impressões, CTR e Posição média. A CTR é a taxa de cliques: os cliques divididos pelas impressões.
Antes de escolher uma linha, confira:
- O período e o site. São os que você queria analisar?
- Os filtros. Um filtro de país, dispositivo ou página que ficou de antes muda a tabela.
- A coluna Cliques. CTR de 0% na tabela não basta para dizer que não houve clique. Confira a coluna Cliques. Cliques = 0 quer dizer nenhum clique registrado naquela linha, no período e nos filtros escolhidos.
Mesmo conferido, zero clique não é contagem de cliente perdido. O Google conta uma impressão quando um link do seu site aparece na página de resultados, em geral mesmo que a pessoa não tenha rolado a tela até ele. Impressão não é visita, nem alguém interessado no que você vende.
A tabela também não traz todas as buscas. O Google omite algumas consultas para proteger a privacidade de quem pesquisou e guarda só as linhas de dados mais importantes.
Essa busca pode trazer o cliente que você atende?
Muitas impressões não bastam. Escolha a busca que pode trazer o cliente que você atende.
Quantas impressões são “muitas”? Na ajuda do Google que li, não encontrei um número de impressões ou uma CTR ideal que valha para qualquer empresa. Compare as linhas do seu site entre si.
Para cada busca do topo, pergunte: ela fala de algo que eu vendo? De uma região que eu atendo? De alguém que quer comprar?
Digamos que uma oficina conserta celulares em uma só cidade. Uma busca frequente por conserto em outra região pode ir para o fim da fila, por mais impressões que tenha. Já a busca pelo reparo que ela faz, na cidade em que atende, merece abrir a página.
Anote o critério que você usou para escolher.
Qual página aparece, e o que ela promete no Google
Clique na busca escolhida e abra a guia Páginas para ver quais páginas aparecem. Ao clicar, o relatório inteiro passa a mostrar só essa busca. Pode haver mais de uma página.
Olhe a Posição média dessa página. É a média da posição mais alta que essa página ocupou em cada exibição, não o lugar fixo que cada pessoa viu. Se a página aparece em média lá embaixo, a posição pode explicar parte do pouco clique, e o título não é o primeiro suspeito.
Agora faça a busca você mesmo e veja o título e o resumo que o Google mostra do seu site. Compare com o que a página entrega:
- O título descreve a página com clareza? O Google pede títulos descritivos, concisos e diferentes para cada página do site.
- O resumo fala do que a pessoa procurou? Ele vem principalmente do conteúdo da página e pode mudar de uma busca para outra.
A sua busca mostra só aquele momento, não o histórico do relatório. E o Google monta o título a partir de mais de uma fonte: mudar o título no site não garante que ele seja o exibido.
CTR baixa não prova título ruim. A ajuda do Google diz que ela pode indicar que as pessoas veem a página e não acham que ela responde à busca. A linha da tabela não diz por quê. Entre as possibilidades estão a posição, uma busca com outra intenção, outros resultados mais atrativos ou a pessoa ter resolvido a dúvida sem sair do Google.
A página responde à busca, e o site leva até ela?
Abra a página no celular e leia como o seu cliente leria. Ela responde ao que a pessoa procurou? Na oficina do exemplo, a página do reparo diz quais aparelhos ela recebe? Se faltar essa resposta, ali está uma seção útil para escrever.
Escreva a seção para responder à pergunta. Repetir a palavra da tabela em cada subtítulo não ajuda quem lê.
Depois, confira os links internos. Outras páginas do seu site levam até essa? O Google recomenda que toda página importante receba link de pelo menos uma outra página do site. O texto do link deve dizer, de forma natural, o que a pessoa vai encontrar. Encher o link de palavra-chave vai contra as regras de spam do Google.
Link interno é conferência de organização do site. O relatório não mostra que a falta dele causou o pouco clique.
Um ajuste por vez, com a data anotada
Eu escolheria uma busca, uma página e um ajuste:
- Anote o período, os filtros, o critério e o que encontrou.
- Faça um ajuste que você consiga justificar com o que viu.
- Anote a data da mudança. Segundo o Google, ele pode levar alguns dias ou semanas para perceber uma troca de título.
- Compare depois com um período parecido, com o mesmo tipo de pesquisa, país e dispositivo.
A comparação mostra o que mudou nos números. Não prova por que mudou.
Vale a pena quando o site já aparece em buscas ligadas ao que você vende. Vale menos quando ele quase não tem impressões. Se a tabela vier vazia, confira site, acesso, período e filtros antes de concluir que ninguém procura o que você vende.
Para começar: acesso ao Search Console, clareza sobre os serviços e regiões que pesam no faturamento e alguém que edite o site.
Onde eu entro
Abrir o relatório é a parte rápida. O que pesa é escolher a busca, ler os números sem se enganar e decidir o que mudar.
Começo entendendo o que você vende e para quem. Leio com você as buscas e escolho a primeira investigação. A execução vem depois, em escopo combinado, com quem cuida do seu site. Ferramentas e fornecedores, se forem necessários, ficam à parte.
Se você está decidindo onde investir no site, traga essa dúvida para uma conversa gratuita de 30 minutos comigo. Se fizer sentido seguir, mando uma proposta por escrito, com escopo claro.
Comece por uma linha da tabela: a busca que mais se parece com o seu cliente.
